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O Brasil precisa decidir onde quer capturar valor: reserva mineral, sem estratégia industrial vira exportação de oportunidade (Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados).

Data 02 de abril, 2026
Categoria Minérios
Dr. Marco Ruzene
Autor Dr. Marco Ruzene
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O debate sobre minerais críticos no Brasil precisa sair da euforia mineral e entrar na lógica de estratégia industrial. A observação feita pela Vale Base Metals faz sentido porque o país já não disputa apenas reservas. Disputa o lugar que quer ocupar na cadeia. Segundo a executiva, o Brasil precisa ter clareza sobre quais cadeias justificam trazer tecnologia e industrializar e em quais faz mais sentido fomentar apenas exploração e produção mineral.

Esse é o ponto que define a qualidade da decisão pública e privada. O mundo acelerou a competição por terras raras, níquel, manganês e outros minerais estratégicos, e o Brasil aparece com relevância crescente nessa geografia. O Ministério de Minas e Energia destaca o país entre os principais detentores de reservas de terras raras, níquel e manganês, enquanto a disputa internacional já mobiliza EUA, União Europeia e China em torno de ativos brasileiros.

Mas reserva sem desenho institucional vira exportação de oportunidade, não desenvolvimento. Estudos e documentos oficiais convergem em um ponto. A demanda por minerais ligados à transição energética tende a crescer fortemente nesta década, o que amplia a janela para mineração, refino e agregação de valor. Só que essa janela favorece quem consegue combinar previsibilidade regulatória, licenciamento defensável, infraestrutura e política industrial coerente.

É por isso que a escolha brasileira não pode ser abstrata. Em algumas cadeias, o ganho econômico pode estar na verticalização e no processamento local. Em outras, o racional pode ser capturar investimento e escala na fase mineral. O erro é tratar todos os minerais críticos com a mesma fórmula. Em um ambiente de competição geopolítica e capital condicionado, estratégia industrial deixou de ser retórica e passou a ser critério de captura de valor.

Fonte – Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados