O debate sobre minerais críticos no Brasil precisa sair da euforia mineral e entrar na lógica de estratégia industrial. A observação feita pela Vale Base Metals faz sentido porque o país já não disputa apenas reservas. Disputa o lugar que quer ocupar na cadeia. Segundo a executiva, o Brasil precisa ter clareza sobre quais cadeias justificam trazer tecnologia e industrializar e em quais faz mais sentido fomentar apenas exploração e produção mineral.
Esse é o ponto que define a qualidade da decisão pública e privada. O mundo acelerou a competição por terras raras, níquel, manganês e outros minerais estratégicos, e o Brasil aparece com relevância crescente nessa geografia. O Ministério de Minas e Energia destaca o país entre os principais detentores de reservas de terras raras, níquel e manganês, enquanto a disputa internacional já mobiliza EUA, União Europeia e China em torno de ativos brasileiros.
Mas reserva sem desenho institucional vira exportação de oportunidade, não desenvolvimento. Estudos e documentos oficiais convergem em um ponto. A demanda por minerais ligados à transição energética tende a crescer fortemente nesta década, o que amplia a janela para mineração, refino e agregação de valor. Só que essa janela favorece quem consegue combinar previsibilidade regulatória, licenciamento defensável, infraestrutura e política industrial coerente.
É por isso que a escolha brasileira não pode ser abstrata. Em algumas cadeias, o ganho econômico pode estar na verticalização e no processamento local. Em outras, o racional pode ser capturar investimento e escala na fase mineral. O erro é tratar todos os minerais críticos com a mesma fórmula. Em um ambiente de competição geopolítica e capital condicionado, estratégia industrial deixou de ser retórica e passou a ser critério de captura de valor.
Fonte – Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados