25 set Reforma tributária: simplificação só virá depois da transição (Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados).
A promessa de que o Brasil terá o sistema tributário mais digital do mundo, com a implementação da CBS e do IBS, sinaliza uma transformação profunda no modo como empresas e governo vão se relacionar.
A digitalização em escala inédita pode, de fato, reduzir burocracias, melhorar a fiscalização e trazer maior transparência às operações. No entanto, é preciso cautela: tecnologia por si só não resolve questões estruturais como a complexidade regulatória e a insegurança jurídica que ainda permeiam o ambiente tributário brasileiro.
Durante a fase de transição, as companhias terão que lidar com a convivência entre os tributos atuais e os novos, em paralelo. Isso significa mais obrigações acessórias, maior necessidade de adequação tecnológica e um esforço adicional de compliance.
O desafio, portanto, é equilibrar inovação tecnológica com estabilidade regulatória. Avançar na digitalização é um passo importante, mas o verdadeiro diferencial será a capacidade do Brasil de construir um sistema que seja, ao mesmo tempo, moderno, eficiente e juridicamente seguro para empresas e investidores.
A simplificação prometida pela reforma virá apenas depois desse período, o que exige planejamento cuidadoso de empresas e instituições.
Fonte – Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados
