IRPF 2026 e o risco de desequilíbrio temporário (Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados).

Para o Brasil 61, comentei a mudança na tabela do IRPF que amplia a isenção mensal para quem recebe até R$ 5 mil e cria um redutor até R$ 7.350.

A medida tem efeito distributivo claro e melhora renda disponível na base, mas abre uma discussão inevitável de desenho fiscal: ela envolve renúncia relevante de arrecadação e depende de uma compensação que, pelo escalonamento proposto, não entra toda ao mesmo tempo.

O ponto de atenção está no curto prazo. Se a receita compensatória é postergada, inclusive pela dinâmica de início da tributação sobre dividendos, a conta pode produzir um descompasso temporário, justamente em um ambiente em que o mercado lê sinal fiscal como custo de capital.

A discussão, portanto, não é ser contra o alívio, mas reconhecer que política tributária e equilíbrio orçamentário precisam conversar com o mesmo nível de precisão, para que o ganho social não seja neutralizado por instabilidade fiscal adiante.

Fonte – Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados