IRPF 2026: isenção até R$ 5 mil (Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados).

A atualização das tabelas do IRPF, com isenção mensal até R$ 5 mil e um mecanismo de redução parcial que se estende até R$ 7.350, é mais do que uma medida de alívio para pessoa física.

Como o sistema de remuneração, retenção de talentos e distribuição de resultados absorve mudanças tributárias que afetam diretamente o salário líquido, o custo de folha e a previsibilidade de caixa.

O desenho escolhido pelo governo, desconto adicional que zera o imposto até R$ 5 mil e vai se reduzindo até desaparecer em R$ 7.350, com aplicação também ao 13º, cria uma “zona de transição” que tende a gerar efeitos práticos relevantes para empresas com grande massa salarial nessa faixa.

A agenda deixa de ser apenas fiscal e passa a ser de controle: payroll, compliance e jurídico precisam tratar as novas tabelas como tema de risco operacional e de governança de remuneração. Em um ambiente em que custo de capital segue pressionado, qualquer mudança que reorganize renda líquida e incidência na fonte tende a aparecer em decisões de budget, em cláusulas contratuais de remuneração e em pressão por recomposição, com impacto de segunda ordem no caixa da empresa.

O ponto decisivo é que a reforma do IR, quando entra por faixas e descontos, não altera apenas quanto se paga, ela altera comportamento, barganha e previsibilidade. E previsibilidade, para alta administração, é sempre um ativo mais valioso do que qualquer ganho pontual de curto prazo.

 

Fonte – Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados