O lançamento do Tesouro Reserva é um movimento que parece simples na superfície, mas carrega um significado relevante para o mercado financeiro brasileiro. Um título público atrelado à Selic, com aplicação mínima de R$ 1 e possibilidade de compra e resgate 24 horas por dia, sete dias por semana, aproxima o Tesouro Direto da lógica de liquidez imediata que o investidor pessoa física já incorporou com o Pix.
A leitura mais importante, a meu ver, não está apenas na democratização do acesso, está na disputa pela reserva de emergência. Ao criar um produto com liquidez ampliada, sem a dinâmica tradicional de negociação restrita aos dias úteis, o Tesouro passa a competir de forma mais direta com a poupança, contas remuneradas e produtos bancários de baixíssimo prazo.
Isso pode melhorar a eficiência da alocação financeira das famílias, mas também exige uma comunicação muito precisa sobre risco, tributação, rentabilidade líquida e diferença entre liquidez e disponibilidade imediata de recursos.
O Tesouro Reserva pode ser uma inovação importante, desde que não seja tratado apenas como “poupança 24 horas”, mas como instrumento de educação financeira e de fortalecimento da relação entre cidadão, mercado e financiamento público.
Fonte – Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados