Coteminas avança na recuperação judicial, mas a crise ainda não terminou (Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados).

A homologação do plano de recuperação judicial da Coteminas, com passivo em torno de R$ 2 bilhões, se tornou uma movimentação importante, mas não deve ser confundida com superação da crise. Em reestruturação, a aprovação judicial encerra uma etapa decisiva de negociação, mas inaugura outra ainda mais exigente, a da execução efetiva do plano e da recomposição de previsibilidade para credores, operação e mercado.

O caso é relevante porque envolve uma companhia tradicional da indústria têxtil, exposta há anos a pressões estruturais de competitividade, especialmente em um ambiente de concorrência internacional agressiva e margens comprimidas. Nesses contextos, a recuperação judicial deixa de ser apenas resposta a um desajuste financeiro e passa a ser tentativa de reorganizar um modelo de negócio sob pressão prolongada.

Do ponto de vista de governança, o que importa agora não é apenas o desenho aprovado, mas a capacidade de transformar o plano em rotina de cumprimento. Isso envolve disciplina na execução, transparência na relação com credores e consistência na geração de caixa para sustentar obrigações ao longo do tempo. Em grupos com passivo relevante e base credora diversificada, esse é o ponto em que a recuperação deixa de ser decisão judicial e passa a ser teste real de viabilidade.

O que se observa, portanto, é que a homologação da Coteminas tem valor institucional, mas o critério de sucesso continuará sendo outro. Não a aprovação do plano em si, mas a capacidade de executar o que foi prometido sem ampliar ruído, sem perder tração operacional e sem transformar a reestruturação em postergação do problema.

Fonte – Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados.