Mais recuperações judiciais, menos fôlego: o retrato de um mercado sob pressão (Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados).

Em 2025, o país chegou a 2.466 empresas em recuperação judicial, com 977 processos ativos iniciados no ano anterior, no maior patamar da série desde 2016.

O dado mais relevante, a meu ver, é que a recuperação judicial está deixando de ser exceção para se tornar mecanismo recorrente de reorganização em setores sob maior pressão de caixa. Agropecuária e serviços concentraram a maior parte dos CNPJs em recuperação em 2025, o que reforça que o problema já não está restrito à indústria ou ao varejo tradicional. Ele alcança atividades expostas a custo financeiro, volatilidade operacional e maior dificuldade de rolar dívida.

O levantamento mostra 977 pedidos judiciais contra apenas 62 extrajudiciais em 2025. Isso sugere que, apesar de a extrajudicial ser menos ruptiva, o ambiente ainda não oferece alinhamento suficiente entre credores para que ela se torne alternativa dominante.

O que se observa é uma normalização em um nível mais alto de estresse empresarial. Quando a Selic permanece em 14,75%, a inadimplência alcança 8,7 milhões de CNPJs negativados em janeiro de 2026 e o crédito segue mais rigoroso, a recuperação judicial deixa de ser apenas remédio de última instância e passa a funcionar como instrumento de sobrevivência.

O problema é que, quando ela se torna frequente demais, o custo deixa de ser individual e passa a ser sistêmico, afetando crédito, confiança contratual e previsibilidade do mercado.

 

Fonte – Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados.