Xalingo entra em recuperação judicial e Justiça questiona demissões na crise (Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados).

Quando a crise financeira chega ao ponto de exigir reorganização do passivo, a forma como a empresa conduz desligamentos, paga verbas rescisórias e negocia com o sindicato deixa de ser tema periférico e passa a influenciar a própria credibilidade do processo. A fabricante protocolou pedido de recuperação judicial no fim de março, com dívida de R$ 69,8 milhões, depois de uma queda de receita de R$ 116,7 milhões para R$ 84,2 milhões entre 2022 e 2024 e de prejuízo estimado em R$ 30 milhões em 2025.

Houve vedação a novas dispensas sem negociação prévia com o sindicato e exigência de comprovação de pagamento das rescisões e do FGTS relativos a 50 empregados já desligados, em paralelo, foi determinada audiência entre as partes. Em contextos de insolvência, o Judiciário tende a olhar não apenas para a urgência de caixa da empresa, mas para a consistência do comportamento dela diante dos credores trabalhistas, que continuam sendo credores especialmente sensíveis no desenho da crise.

O processo não é apenas uma tentativa de ganhar tempo contra a pressão financeira, ele também se torna teste de transparência, de boa-fé negocial e de capacidade de organizar prioridades sem ampliar passivos reputacionais e jurídicos. Quando a empresa falha nessa etapa, o custo da crise aumenta e a reestruturação perde eficiência antes mesmo de o plano começar a ser discutido.

 

Fonte – Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados.