Preservação ambiental deixou de ser agenda paralela e virou agenda de continuidade econômica (Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados).

A fala de Santiago Peña na COP15 acerta o ponto central que parte do debate público ainda insiste em tratar como dilema. Preservação ambiental não é obstáculo ao desenvolvimento. É pré-condição de continuidade econômica em territórios que dependem de água, solo, biodiversidade e estabilidade climática para produzir, exportar e atrair investimento. No discurso em Campo Grande, o presidente do Paraguai vinculou explicitamente conservação, segurança hídrica e segurança alimentar, citando o projeto Pantanal-Chaco como exemplo de cooperação regional.

Essa leitura é especialmente relevante para Brasil e Paraguai porque o Pantanal, o Chaco e as florestas atlânticas não respeitam fronteiras políticas. Quando a degradação avança de um lado, o custo econômico aparece dos dois lados, na agropecuária, na energia, na logística e no seguro. A própria COP15 em Campo Grande recoloca o Pantanal no centro da agenda internacional, enquanto autoridades brasileiras alertam para risco severo de degradação do bioma até o fim do século se a trajetória atual persistir.

Vejo esse tipo de posicionamento como sinal de maturidade institucional. País competitivo não é o que escolhe entre crescimento e preservação. É o que entende que previsibilidade ambiental, cooperação transfronteiriça e governança do território são parte da infraestrutura econômica do século XXI. Sem isso, desenvolvimento vira só antecipação de perda.

Fonte – Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados