11 mar Petrobras sobe 4,6% e o risco volta para a mesa do Conselho (Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados).
O pregão de 2 de março deixou um retrato didático do risco macro que o Brasil costuma subestimar. Choque geopolítico no Oriente Médio elevou o Brent em torno de 6,7% para a faixa de US$ 77,7 e puxou Petrobras, com PETR4 avançando cerca de 4,6% e recolocando a companhia em patamar de valor de mercado que não se via desde 2024.
Ao mesmo tempo, o dólar voltou a subir e fechou próximo de R$ 5,16, com pico intradiário acima de R$ 5,21. Esse movimento combinado muda, no mesmo dia, as premissas de caixa de empresas exportadoras e do setor energético. Receita em moeda forte melhora euforia de curto prazo, mas o custo de hedge, o risco de repasse e a volatilidade de insumos também sobem.
No setor de energia, há um componente regulatório que passa rápido pela manchete e pesa no resultado. A gestão de preços domésticos não reage automaticamente a choques pontuais, segundo a própria Petrobras, o que preserva alguma estabilidade ao consumidor no curtíssimo prazo, mas também cria defasagens potenciais que afetam margens, importações e decisões comerciais.
Do lado fiscal, o governo já reconhece que petróleo mais caro pode elevar arrecadação via royalties e dividendos, mas a linha é estreita. Se o choque for persistente e levar a petróleo muito mais caro, o mesmo vetor que melhora receita pressiona inflação e encurta espaço de política monetária, com efeito direto no custo de capital.
Empresas expostas a dólar e petróleo não estão apenas diante de uma oportunidade tática. Estão diante de um teste de política de risco, disciplina de contratos e qualidade de proteção de caixa quando o cenário muda em horas, não em trimestres.
Fonte – Dr. Marco Antônio Ruzene – Ruzene Sociedade de Advogados
