25 fev Recuperação extrajudicial cresce no agro e muda a lógica do conflito (Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados).
O aumento das recuperações extrajudiciais no agronegócio é um retrato da forma como o setor se organiza e de como o crédito está concentrado. Em 2025, o Obre identificou 55 requerentes no agro, mas esses pedidos se converteram em 13 processos.
Há ainda um dado que altera a leitura dos números. Mais de 70% dos casos no agro foram protocolados por produtores pessoas físicas, com dados protegidos pela LGPD, o que reduz transparência estatística sobre perfil e segmentação. Isso exige cautela na interpretação e reforça a importância de informação bem organizada para que credores, cooperativas e investidores consigam medir risco com precisão.
O que se observa é um ajuste de rota. A extrajudicial ganha espaço como mecanismo de negociação mais calibrada, mas ela só funciona quando há confiança mínima, documentação e capacidade real de executar o combinado.
A tendência é buscar uma reestruturação que reorganize prazos e fluxo de caixa sem produzir a fratura institucional que, em muitos casos, acompanha a recuperação judicial tradicional.
Fonte – Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados.
