M&A voltou, mas como uma exigência maior de disciplina (Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados).

O lucro recorde do Goldman Sachs no 4º trimestre de 2025, impulsionado por M&A e pela força de mercados, ajuda a ler um movimento mais amplo: em períodos de volatilidade, parte do sistema financeiro transforma incerteza em receita quando tem estrutura, liquidez e mandato para executar. A alta em equity e em FICC reforça essa dinâmica de captura do ciclo, enquanto as taxas de investment banking sinalizam retomada mais consistente de deals.

Do ponto de vista de governança, vale separar o que é recorrente do que é pontual. A saída do Apple Card, com efeito positivo específico no trimestre, melhora o resultado, mas não deve ser tomada como tendência operacional; é um evento contábil e estratégico dentro de um reposicionamento do banco em relação ao varejo.

O pano de fundo, porém, é estrutural. Empresas com caixa, tese de crescimento e pressão competitiva voltam a buscar consolidação, especialmente em tecnologia, onde a corrida por escala e IA tende a alimentar transações relevantes. Em ambientes assim, a qualidade do processo decisório e da diligência é o que sustenta criação de valor, porque o risco não está apenas em fechar o acordo, mas em integrar, capturar sinergias e atravessar escrutínios regulatórios.

Fonte – Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados.