24 jun Recuperação Judicial: o que os números da última década nos mostram? (Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados).
Segundo levantamento da Predictus, maior banco de dados judiciais do país, mais de 31 mil empresas entraram em recuperação judicial no Brasil entre 2015 e 2025.
O dado é expressivo, mas o que mais chama atenção é o perfil dessas companhias: idade média de 34 anos, sendo que mais de 10 mil têm mais de 50 anos de existência. Ou seja, não estamos falando apenas de empresas em fase inicial ou mal estruturadas, mas sim de organizações maduras, com trajetória consolidada e, ainda assim, vulneráveis diante de cenários adversos.
Esse retrato escancara uma realidade que costumo reforçar na minha atuação: longevidade não garante resiliência se não estiver acompanhada de governança, planejamento e capacidade de resposta estratégica.
Recorrer à recuperação judicial pode, sim, ser uma medida legítima e eficaz para manter negócios viáveis, proteger empregos e preservar ativos. Mas seu sucesso depende do timing da decisão, da estruturação técnica do plano de reestruturação e da postura com que a empresa encara esse processo. Postergar a adoção de medidas estruturantes ou enxergar a recuperação como último recurso tende a reduzir drasticamente as chances de êxito.
Os dados também revelam o impacto sistêmico dessas crises: outras 33 mil empresas credoras foram afetadas indiretamente pelos pedidos de recuperação, muitas vezes enfrentando efeitos colaterais severos.
E para você: como sua empresa está se preparando para os momentos de instabilidade? O tema já está na pauta da gestão?
A crise, quando enfrentada com estratégia, pode ser o ponto de virada.
Fonte – Dra. Andréa Navarro – Ruzene Sociedade de Advogados
